terça-feira, 27 de março de 2012

O LEÃO DE WALLACE




Do mesmo modo como chegaram, se afastavam agora, com a única diferença que deixavam para trás alguns mortos e desolação.
Alyx escutava o ressonar dos cascos de seu cavalo, que lhe parecia muito ruidoso.
Estavam perto da fortaleza, o perigo ainda existia, não deviam confiar apenas pelo fato de que os MacConnor não tivessem aparecido.
Tentou acalmar-se, até agora tudo ia bem, certamente chegariam a casa sem nenhum contratempo e poderia contar a seu pai todo o acontecido e os próximos movimentos que deviam realizar.
Certamente, o velho Cormac riria, imaginando a reação de MacConnor novamente zombado.
Alyx sorriu, meigamente, ao pensar em seu pai.
Amava-o mais do que tudo neste mundo, e ele a correspondia com acréscimo.
Depois do falecimento, em plena infância, dos quatro filhos varões que tivera, a mãe de Alyx voltou a ficar grávida; entretanto, quem nasceu não foi o filho desejado, a não ser ela; para cúmulo, uma semana depois, a mãe faleceu.
Cormac era já ancião, e a morte de sua esposa o afundou na tristeza, desesperou-se, em sua tentativa de trazer para o mundo um varão que continuasse com o governo do clã; mas como Alyx era uma menina adorável, verteu nela todo o afeto que daria a seu herdeiro.
Alyx aprendeu tudo aquilo que como mulher, jamais deveria lhe interessar, era destra com as armas e hábil rastreadora, sabia ser sigilosa como uma serpente, e seu engenho era rápido e acordado.
Cormac estava orgulhoso dela, mas, embora o desejasse com toda sua alma, não podia esquecer sua condição de mulher.
No momento, lhe permitia dirigir seus homens, posto que confiavam nela, mas ambos sabiam (embora ela não quisesse admitir), que não tolerariam muito tempo que fosse uma mulher quem dirigisse o clã, tanto em batalha como no resto das ocasiões.
Logo, chegaria o dia em que ninguém consentiria essa atitude, Alyx deveria casar-se com um familiar ou admitir que o chefe do clã devesse ser o parente varão mais próximo.
Suspirou, no momento, não queria pensar nisso, seus homens a respeitavam e, inclusive, a temiam, por que teriam de insistir que os abandonasse? Sabia muito bem a resposta.
— Acredita que haverá represálias? — Era a voz de Dirk, em um tom muito baixo junto a ela.
— Certamente. A estas alturas, já devemos levar a sério. Eu gostaria de ver a cara dele, quando lhe disserem o que fizemos esta noite, você não? – E sorriu, regozijando-se pelas moléstias que estavam causando a MacConnor.
— Suponho que se... Acredita que nos atacará com todos seus homens, que virá à Torre?
— O moço estava preocupado sem dúvidas.
— Atreveria a lhe dizer, Dirk, que, dada a petulância e a condescendência dos MacConnor, o mais provável é que façam um par de incursões em nossas terras e que, depois, nos peçam uma explicação. Eu não gosto da ideia de saber que, por nossa culpa muitos morrerão, mas isso é o que ocorre nas batalhas... É o único modo de fazer que nos levem a sério, Dirk.
— Oxalá esteja certa Alyx. MacConnor é cruel e sanguinário, não quero nem pensar no que fará, se o enfurece muito. — E o moço se afastou, deixando-a pensativa, refletindo sobre a importância de sua empreitada.
Subitamente, como se viessem do nada, vários homens se equilibraram sobre eles.
Alyx esquivou de um, rapidamente tirou sua espada e ficou em guarda.
Tudo ao seu redor era um caos, homens lutando se perdiam entre as árvores, gritos de agonia...

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